A Nação não aguenta mais! Jardim solta o verbo
A noite de sábado era para ser de festa, Nação. Era para a gente dormir líder do Brasileirão, olhando todos os rivais pelo retrovisor. Mas, em vez disso, o que tivemos foi um banho de água fria no Mineirão. A derrota por 2 a 1 para o Cruzeiro doeu, e doeu muito. Mas o que mais chocou foi a entrevista do técnico Leonardo Jardim. Sem meias palavras, o português foi direto na ferida e falou o que muito torcedor estava engasgado: faltou maturidade e sobraram erros ‘infantis’.
É isso mesmo que você leu. A palavra usada pelo nosso comandante foi “infantil”. Em um jogo que valia a ponta da tabela, onde o Mengão saiu na frente e tinha a faca e o queijo na mão, o time se desmanchou no segundo tempo. E Jardim não escondeu sua frustração.
“Não tivemos maturidade de segurar a bola. Nós temos a bola a nosso favor no lance do gol e perdemos”, desabafou o técnico, com a sinceridade que a gente espera de quem comanda o Mais Querido. Ele foi claro: o time entregou o jogo.
Um primeiro tempo de Mengão, um segundo tempo de pesadelo
Quem viu os primeiros 45 minutos, viu um Flamengo dominante, que poderia ter saído com um placar muito mais elástico. Criamos, pressionamos, fizemos o gol e parecia que a liderança era questão de tempo. Mas o que aconteceu no vestiário? O time que voltou para a segunda etapa era outro.
Jardim apontou o dedo para a questão mental. “Hoje não conseguimos gerir, com perdas de bola até infantis”, completou. É de sangrar os olhos rubro-negros ouvir isso. Perder a bola de forma infantil em um jogo dessa importância é inaceitável. A Nação, que empurra o time de onde estiver, não merece ver esse tipo de displicência.
O treinador ainda deu os parabéns ao Cruzeiro, mas deixou o recado para dentro do nosso vestiário: “que isso sirva de exemplo para nós, que não podemos entrar tão bem no jogo, ser tão dominante e deixar o adversário agir”. A lição foi dura e custou caro: 3 pontos e a chance de ouro de assumir o topo.
Cansaço? Substituições? Jardim explica as decisões
Durante a partida, vimos substituições que geraram debate. Evertton Araújo e Plata entraram nos lugares de Erick Pulgar e Samuel Lino. O técnico justificou as trocas pelo desgaste físico. “O Erick (Pulgar) já mostrava dificuldade para continuar, assim como o Lino. São jogadores que, há dois dias, fizeram 90 minutos em alta intensidade”, explicou Jardim.
Outro que não teve uma noite feliz foi Carrascal. O meia, que vinha de boas atuações, esteve apagado. Jardim reconheceu: “Hoje não esteve no seu melhor nível, mas precisávamos gerir alguns jogadores que estavam sobrecarregados”.
No entanto, o próprio treinador admitiu que o buraco era mais embaixo. “Mais do que a condição física, porém, faltou capacidade para segurar a bola. Se tivéssemos conseguido ter mais posse, poderíamos controlar melhor o jogo”, afirmou. Ou seja, o problema não foi só na perna, foi na cabeça.
Sistema defensivo e a desculpa dos ‘golaços’
Quando questionado sobre a defesa, Jardim mencionou que o time sofre poucos chutes, mas que tem levado “grandes gols”, citando chutes de fora da área. Com todo respeito ao mister, essa é uma análise que a torcida não engole mais. Sofrer golaço toda hora deixa de ser mérito do adversário e passa a ser falha nossa.
“Claro que precisamos defender melhor, e quando falo em defender não me refiro apenas ao goleiro, mas a toda a equipe”, disse ele. Pelo menos nisso, concordamos. A marcação precisa ser mais agressiva, a recomposição mais rápida. Não dá pra deixar o adversário pensar e chutar com liberdade na frente da nossa área.
Olhar para frente: clássico é obrigação de vitória!
A derrota deixa o Flamengo com 45 pontos, na segunda colocação, a dois pontos do líder Palmeiras. Não há tempo para chorar o leite derramado. O calendário não perdoa e o próximo compromisso é um clássico gigante contra o Botafogo, no próximo domingo.
Sobre reforços, Jardim foi categórico e se recusou a falar do tema para não desvalorizar o elenco atual. A mensagem é clara: é com esses jogadores que vamos lutar. E eles precisam mostrar uma reação imediata.
A bronca de Jardim foi pública, dura e necessária. Agora, a Nação espera a resposta em campo. Contra o Botafogo, não basta jogar, é preciso vencer. É preciso mostrar que a lição foi aprendida e que os erros infantis ficaram no passado. Pra cima deles, Mengão!
Informações com base em reportagem do ge.globo.com.