Uma Vitória com Gosto Amargo no Maraca
Nação, que noite estranha foi essa de terça-feira no Maracanã. A gente entra em campo, mete 3 a 0 no Cusco FC, garante a melhor campanha da fase de grupos da Libertadores… e o que se ouve? Silêncio. O que se vê? Cimento. Isso não é o Flamengo! Isso não é a nossa casa!
A vitória, que deveria ser motivo de festa, veio com um gosto amargo de desconexão. Antes mesmo da bola rolar, o recado da arquibancada foi claro e duro: gritos de “time sem vergonha” ecoaram pelo estádio quase vazio. A bronca era direcionada ao momento da equipe de Leonardo Jardim e sobrou até para o meia Jorge Carrascal, que foi alvo de xingamentos por sua expulsão na derrota para o Palmeiras no fim de semana. É o termômetro da nossa paixão: quando o time vacila, a cobrança vem na mesma intensidade.
Os Números Não Mentem: O Pior Público em Mais de uma Década
Vamos aos fatos, porque eles doem mais que qualquer derrota. Estiveram presentes no Maraca apenas 34.796 pessoas. Desses, somente 32.497 pagaram ingresso. O resultado? O PIOR público do Mengão em um jogo de Libertadores no nosso templo sagrado desde 2010. Mais de uma década, Nação! Isso é um soco no estômago de qualquer rubro-negro que se preze.
A renda foi de R$ 1.999.478,25. Parece muito, mas a imagem era desoladora. Parte dos setores superiores do estádio simplesmente nem abriram, tamanha a baixa procura. Ver o Maracanã com espaços fechados por falta de gente é um sinal de alerta GIGANTESCO que a diretoria parece não querer enxergar.
O Bolso da Nação Grita: A Política de Preços que Afasta o Torcedor
E qual o motivo desse abandono? A resposta está no bolso de cada um de nós. Contra o Cusco, os ingressos variavam de R$ 25 para sócios-torcedores até ABSURDOS R$ 500. Para o público geral, a entrada mais barata não saía por menos de R$ 100.
Aí você pensa: “Ah, mas é Libertadores!”. Pois bem, contra Estudiantes e Medellín, com ingressos ainda mais caros (R$ 150 e R$ 125 a inteira mais barata, respectivamente), a Nação ESGOTOU tudo! O que isso mostra? Que o torcedor faz sacrifícios, mas existe um limite! A diretoria esticou a corda até ela arrebentar.
E não é um caso isolado. No Brasileirão, o Flamengo tem o ticket médio MAIS CARO entre todos os 20 clubes da Série A: R$ 72,70 por cabeça. Estão transformando o espetáculo do povo em um evento de elite, e a resposta foi dada com o silêncio das arquibancadas.
Bap Se Defende e Causa Polêmica: ‘Ponto de Vista Comercial’
E o que diz o presidente? Nas redes sociais, a Nação direcionou toda a sua fúria e frustração para Luiz Eduardo Baptista, o Bap. E a defesa dele só colocou mais lenha na fogueira. Em uma declaração dada em outubro, mas que explica perfeitamente a mentalidade atual, Bap defendeu a política de preços com unhas e dentes.
Nas palavras do presidente: “O preço dos ingressos depende do momento e das circunstâncias. O primeiro jogo do campeonato vai ser sempre o mais barato. Na Libertadores, o último jogo é todo da Conmebol. Então, a final, do ponto de vista comercial, é a semifinal. Se você coloca o preço barato, os ingressos acabam em duas horas e todo mundo diz que você é sacana. Se coloca muito caro, você tem reclamações. O Flamengo tem tido público recorde em todos os jogos.”
“Ponto de vista comercial”? Presidente, com todo respeito, estamos falando do Clube de Regatas do Flamengo! Estamos falando de uma paixão que passa de pai pra filho, do Manto Sagrado que veste milhões! Tratar o Maracanã e a sua gente como uma mera planilha de lucros e perdas é um erro gravíssimo. É não entender o que significa ser Flamengo.
Flamengo é do Povo, Não de Planilhas!
A noite de terça foi um recado direto e reto da maior torcida do mundo para a diretoria: o Flamengo não vive só de vitórias e de cofres cheios. O Flamengo vive da sua gente, do calor da arquibancada, do grito que empurra o time. Um Maracanã silencioso é um Flamengo mais fraco, por mais que o placar diga o contrário.
A classificação veio, a melhor campanha está garantida, mas a que custo? Ao custo de afastar o torcedor que vive e respira o clube. É hora de repensar essa política de preços, de olhar para a Nação não como um cliente, mas como o maior patrimônio que o clube possui. Queremos o nosso Maracanã pulsando de volta. O Flamengo é do povo! SRN!
Informações com base em reportagem do www.lance.com.br.