AQUELE DOMINGO DE 1980 QUE NUNCA ESQUECEREMOS
Nação, tem dias que ficam marcados a ferro e fogo na alma rubro-negra. Dias que a gente conta para os filhos e netos, com o peito estufado de orgulho. O dia 13 de abril de 1980 foi um desses. Um domingo de sol no Rio de Janeiro, com o Maracanã pulsando com mais de 70 mil vozes apaixonadas, prontas para testemunhar a história. E que história, meus amigos!
Era a segunda fase da Taça de Ouro, o Brasileirão da época. De um lado, o nosso Mengão, o esquadrão de ouro que estava sendo forjado para dominar o Brasil e o mundo. Do outro, o Palmeiras, treinado pelo experiente Oswaldo Brandão. Eles vieram para o Maraca, mas mal sabiam que entrariam em campo para ser coadjuvantes de um dos maiores espetáculos da história do Mais Querido.
UM TIME FEITO PARA A GLÓRIA, COMANDADO POR COUTINHO
O nosso mestre Cláudio Coutinho, um visionário, mandou a campo uma máquina de jogar futebol. Aquele time era pura poesia em movimento, uma equipe moderna e ofensiva que sufocava qualquer adversário. Na zaga, a muralha formada por Rondinelli e Marinho impunha respeito. Na lateral esquerda, a classe e a inteligência do nosso Maestro Júnior iniciavam as jogadas.
No meio, a cadência de Andrade e a visão de jogo de Paulo César Carpegiani ditavam o ritmo. E na frente… ah, na frente a gente tinha a velocidade de Júlio César e a genialidade em estado puro do nosso Rei, o Galinho de Quintino. A ordem era clara: amassar o Palmeiras desde o primeiro minuto. E foi exatamente o que fizemos.
O BAILE COMEÇA: TITA E O GALINHO ABREM OS TRABALHOS
O time paulista, com seus experientes Polozi e César, tentou se fechar, jogar na retranca. Coitados. Não durou nem 15 minutos. Aos 13, a bola trabalhada com a velocidade da luz encontrou Tita. Ele não perdoou. Um toque preciso para vencer o goleiro Gilmar e fazer o Maracanã explodir pela primeira vez. 1 a 0 Mengão!
O gol só aumentou a nossa confiança. A bola rolava de pé em pé, uma sinfonia rubro-negra. E toda sinfonia precisa de seu maestro. Aos 33 minutos, Zico resolveu dar o seu show particular. Recebeu na intermediária, olhou para a marcação de um tal de Pires, e com um drible de corpo desconcertante, limpou a jogada e bateu com a maestria que só ele tinha. GOLAÇO! 2 a 0! O primeiro tempo terminou com um placar que ainda era modesto perto do que o nosso time estava jogando. O domínio era absoluto.
AVALANCHE RUBRO-NEGRA: UMA CHUVA DE GOLS NO SEGUNDO TEMPO
Se o primeiro tempo foi bom, o segundo foi um atropelo, uma humilhação histórica. Logo aos 6 minutos da etapa final, pênalti para o Mengão. Quem foi para a bola? Ele, o Rei. Zico, com a frieza de um deus do futebol, deslocou o goleiro e marcou o terceiro. 3 a 0. O seu segundo gol no jogo.
O Palmeiras estava completamente perdido, tonto em campo, assistindo ao nosso toque de bola. E a porteira estava escancarada. Aos 16 minutos, até nosso lateral resolveu participar da festa. Toninho Baiano apareceu como elemento surpresa no ataque e guardou o dele. 4 a 0! O Maraca era um pandemônio!
Ainda não tinha acabado. Aos 27 minutos, Tita, sempre oportunista, marcou mais um. O seu segundo na partida, o QUINTO do Flamengo. 5 a 0! Um placar que entrava para a história, que mostrava o abismo entre o futebol arte do Flamengo e o resto.
ELES MARCARAM, MAS A FESTA FOI NOSSA: 6 A 2!
Com o jogo decidido, o Palmeiras ainda encontrou dois gols para diminuir o vexame. Um de pênalti, com Baroninho, aos 29, e outro com Mococa, aos 36. Um 5 a 2 que não assustava ninguém. Mas aquele time do Flamengo não aceitava levar desaforo para casa. Para fechar a conta, para cravar a goleada na história e para não deixar dúvidas de quem mandava no Maracanã, o Mengão ainda foi lá e fez o SEXTO gol.
O placar final de 6 a 2 não foi apenas um resultado. Foi uma declaração. Uma prova de força daquela geração de ouro que nos daria tantas alegrias. Foi o dia em que o Brasil viu, mais uma vez, a Nação feliz e o Flamengo jogando um futebol de outro planeta. SRN!
Informações com base em reportagem do www.lance.com.br.