Fim da Linha para o ‘Bad Boy’ do Mengão
É oficial, Nação! Chegou ao fim a passagem de Gonzalo Plata pelo Flamengo. O atacante equatoriano, que tantas vezes nos fez pular da cadeira – seja por um drible genial ou por um cartão vermelho inexplicável – foi vendido ao Dínamo de Moscou. A negociação gira em torno de 10 milhões de euros, o que dá mais de R$ 60 milhões para os cofres do Mais Querido. Uma grana boa, mas que deixa um gosto agridoce na boca da torcida.
Foram exatos dois anos vestindo o Manto Sagrado. Dois anos de uma montanha-russa de emoções. Plata embarcou para a Rússia neste sábado, deixando para trás 100 jogos, 9 títulos e uma série de polêmicas. Ele sai como titular do time de Leonardo Jardim, mas sem nunca ter conquistado a unanimidade da Nação Rubro-Negra. Afinal, como definir um jogador que foi herói de título e vilão na mesma medida?
Herói Inesquecível: O Gol que Calou a Arena MRV
Impossível falar de Plata sem lembrar daquele momento mágico. Final da Copa do Brasil de 2024, dentro da novíssima Arena MRV, casa do Atlético-MG. O jogo era tenso, truncado. E foi dos pés dele que saiu o gol do título. Um gol solitário, um 1 a 0 que ecoou em Belo Horizonte e fez o Brasil inteiro se curvar mais uma vez ao Mengão. Aquele gol eternizou Plata na nossa história.
A relação dele com o estádio do rival era especial. Tanto que, neste ano, ele voltou lá e deixou sua marca na goleada histórica de 4 a 0. A Nação, sempre criativa, não perdoou e apelidou o estádio de “Arena Gonzalo Plata” nas redes sociais. Um meme que mostra o tamanho do feito.
E não foi só isso. Suas 13 assistências foram vitais. Quem não se lembra da virada épica de 3 a 1 sobre o poderoso Chelsea, no Mundial de Clubes de 2025, lá nos Estados Unidos? Foram duas assistências dele! E o passe para o gol de Pedro na vitória por 2 a 1 contra o Estudiantes, nas quartas da Libertadores? Decisivo. Em campo, quando estava focado, ele era um craque.
O Gênio e o Temperamento: Confusão e Puxão de Orelha
Mas nem tudo foram flores. O talento de Plata sempre andou de mãos dadas com um temperamento forte e uma vida extracampo agitada. A fama de “Bad Boy” não veio à toa. A sua entrega tática era inegável, tanto com Filipe Luís quanto com Leonardo Jardim. Ele recompunha, marcava, era um coringa que jogava em várias posições. Por causa disso, o clube muitas vezes “passou pano” para seus excessos na noite, que resultavam em atrasos e treinos trocados por sessões de fisioterapia.
Com o técnico português Leonardo Jardim, a corda esticou. Em março, após desentendimentos, Plata chegou a ser cortado de um jogo e levou um puxão de orelha público do treinador em plena entrevista coletiva. A situação azedou de vez. Na vitoriosa campanha da Libertadores, ele quase botou tudo a perder ao ser expulso contra Estudiantes e Racing, além de levar outro vermelho no Brasileirão. Era o jogador 8 ou 80.
A Venda Inevitável: O Desgaste que Culminou no Adeus
A relação ficou insustentável. Irritado com a exposição dos problemas e o puxão de orelha de Jardim, Plata e seu estafe começaram a forçar a barra. O atacante chegou ao ponto de apagar todas as fotos com o Manto Sagrado de suas redes sociais, deixando apenas a imagem em que segurava a taça da Libertadores. E mais: deu unfollow na conta oficial do Flamengo. Uma atitude de moleque que mostrou que o fim estava próximo.
O Cruzeiro até tentou um empréstimo, mas o Mengão foi firme e pediu Kaio Jorge na troca, o que melou o negócio. Após um bom Mundial de seleções pelo Equador, a pressão por valorização aumentou, culminando na transferência para o futebol russo. A diretoria agiu certo: se o jogador não quer mais ficar, que traga um bom dinheiro para o clube. E R$ 60,1 milhões é um valor considerável.
Ele chegou em 30 de agosto de 2024, num pacotão que trouxe também Alex Sandro, Alcaraz e Michael. Agora, se vai. Não se tornou um ídolo, mas sua passagem está longe de ser esquecida. Deixa títulos, gols importantes e a eterna dúvida: e se ele tivesse tido mais juízo? Fica a pergunta para a Nação. SRN!
Informações com base em reportagem do ge.globo.com.