Uma facada nas costas da Nação
É inacreditável, pra não dizer revoltante. Em uma noite que deveria ser de festa e apoio incondicional na Libertadores, a diretoria do Flamengo conseguiu a proeza de virar as costas para o seu maior patrimônio: a Nação Rubro-Negra. O empate em 1 a 1 contra o Cruzeiro, na última quarta-feira (12), no Mineirão, ficou em segundo plano. O que ecoa hoje é o som da indignação, da traição sentida por cada torcedor que viu o clube agradecer justamente quem nos tratou com violência.
Vamos aos fatos, porque dói ter que escrevê-los. Antes da bola rolar pelo jogo de ida das oitavas de final da Libertadores, cenas lamentáveis se desenrolaram nos arredores do estádio. Torcedores do Mengão, que viajaram centenas de quilômetros para apoiar o time, se viram em meio a uma confusão na entrada do estádio. A resposta da polícia militar local? Gás de pimenta e truculência para dispersar a nossa gente.
A gente espera apoio, defesa, uma palavra de um clube que se diz do povo. Mas o que recebemos? Uma nota oficial que soa como um deboche, uma verdadeira facada nas costas.
A nota oficial que ignorou a nossa dor
Enquanto a Nação esperava uma posição firme do Mais Querido, defendendo seu torcedor que sofreu com a desorganização e a repressão, o clube preferiu o caminho da formalidade fria e distante. Pior: agradeceu o trabalho da polícia.
No comunicado, o Flamengo fala em ‘reconhecer e valorizar a presença de sua torcida’ e que ‘entende que garantir uma experiência segura e organizada nos estádios é uma responsabilidade que envolve clubes, autoridades, organizadores e também a colaboração de todos os torcedores’. Em outras palavras, de forma velada, colocou parte da responsabilidade no nosso colo e ainda passou pano para a ação policial.
É um absurdo completo! Agradecer por uma operação que resultou em correria e torcedores passando mal com gás de pimenta? É tratar quem move esse clube como um fardo, como um problema a ser gerenciado, e não como a alma do Flamengo.
‘Lamentável!’: A revolta rubro-negra tomou as redes
A resposta da Nação foi imediata e avassaladora. As redes sociais foram inundadas por um sentimento unânime de repúdio e nojo. Torcedores não pouparam críticas à diretoria, que mais uma vez parece viver em uma realidade paralela, longe das arquibancadas.
“Que nota MERDA! Botou no * do torcedor! Lamentável!”, desabafou um rubro-negro, resumindo o sentimento de muitos. “A diretoria do Flamengo é uma merda!”, completou outro, sem meias palavras.
A sensação de que o clube culpou a própria torcida para proteger a organização do evento foi um tema recorrente. “O flamengo culpa a propria torcida pra passar pano pra organizaçao do estadio, no final das contas, o clube trata o torcedor visitante como se fosse um fardo”, analisou um torcedor com uma precisão dolorosa.
Outro comentário foi ainda mais fundo na ferida, conectando a nota com outras atitudes da gestão: “E vocês achando que ingresso caro era a única coisa contra a nossa torcida que essa diretoria de merda faz. Agora ela também agradece pq colocam nossa torcida em Currais para entrar no estádio e a Polícia local e funcionários do Mineirão baixam a porrada na torcida. Sensacional!!”
Até quando, diretoria?
Essa nota oficial não é um erro isolado. É um sintoma de uma gestão que parece cada vez mais distante de quem realmente faz o Flamengo ser gigante. O futebol moderno, dos escritórios com ar-condicionado, não pode e não vai apagar a história escrita com suor e paixão nas arquibancadas de cimento.
Nós, torcedores, não somos um detalhe. Não somos um número na planilha de arrecadação. Somos o Flamengo. Exigimos respeito, exigimos defesa e, acima de tudo, exigimos que o clube se lembre de quem ele representa.
O resultado de 1 a 1 em campo é reversível. A mancha deixada por essa nota, no entanto, vai demorar muito a cicatrizar. É uma vergonha que ficará marcada na nossa história. SRN.
Informações com base em reportagem do www.lance.com.br.