Um Absurdo que Supera a Copa do Mundo
A gente acorda e dorme pensando na Copa do Mundo, né, Nação? A uma semana do início, o sangue rubro-negro já ferve imaginando nossos craques brilhando. Mas aí, como um raio em céu azul, uma notícia se impõe e faz todo o resto parecer pequeno. E não é uma notícia boa. É uma daquelas que faz o sangue subir à cabeça.
Estou falando da entrevista de José Boto, nosso diretor de futebol, para o jornal português “A Bola”. A entrevista, que também circula em vídeo no YouTube, é um show de horrores e um tapa na cara de cada um de nós, torcedores do Mais Querido.
Confesso que precisei ouvir mais de uma vez para acreditar no que estava sendo dito. É um nível de arrogância e desconexão com a realidade que assusta, vindo de alguém que ocupa um cargo tão importante no maior clube do Brasil.
A Fala Colonialista que Revoltaria Qualquer Rubro-Negro
Prepare o estômago, porque a fala do diretor é revoltante. Questionado sobre a gestão no Brasil, José Boto não teve o menor pudor em destilar um preconceito que a gente achava que tinha ficado no século XIX. Nas palavras dele:
“Aqui no Brasil quase todos os dias são teste de fogo à gestão, porque há muitas questões emocionais a que não estamos habituados na Europa. Nós tomamos as decisões de uma maneira mais racional, não há essa emoção. Portanto, qualquer decisão aqui é sempre emocional, tem sempre uma repercussão grande, principalmente na imprensa e torcida”.
É inacreditável. Para o senhor Boto, nós, a Nação Rubro-Negra, somos apenas um bando de “emocionais” que atrapalham a gestão “racional” dos europeus. Ele nos trata como se fôssemos inferiores, incapazes de entender a lógica fria e calculista que ele acredita ser a única forma correta de gerir o futebol. É uma visão elitista, retrógrada e, acima de tudo, com um viés colonialista nojento.
Essa “emoção” que ele tanto despreza, senhor Boto, é o que faz o Flamengo ser o que é! É o que lota o Maraca, o que empurra o time, o que faz um jogador vestir o Manto Sagrado e sentir o peso de uma história gloriosa. Desprezar isso é não entender NADA sobre o Flamengo.
A Demissão Injusta de Filipe Luís: A “Lógica” por Trás do Absurdo
E por que ele disse tudo isso? Para justificar uma das decisões mais controversas e desrespeitosas dos últimos tempos: a demissão do técnico Filipe Luís. Sim, ele usou essa lógica preconceituosa para defender a forma como mandou embora um ídolo do clube.
A demissão em si já foi um escândalo. Depois de uma goleada de 8 a 0 no Maracanã, onde o time voou baixo, Boto demitiu o treinador com um recado de um minuto. Um minuto! Um desrespeito absurdo com um profissional que tem o DNA do Flamengo correndo nas veias.
Não estamos falando de um técnico qualquer. Estamos falando de um cara que conhece a alma rubro-negra, que viveu o clube como poucos e que estava construindo um trabalho promissor.
Um ‘Alex Ferguson do Flamengo’ Descartado no Lixo?
Vamos refrescar a memória do “racional” senhor Boto. Um mês antes de ser demitido, esse mesmo Filipe Luís comandou o Mengão em um jogo duríssimo contra o todo-poderoso PSG. Foram 120 minutos de uma partida que impressionou o mundo inteiro, uma aula de tática e entrega.
Perdemos o título mundial nos pênaltis, o único momento em que um treinador não tem mais controle. Antes disso, ele já havia conquistado a Libertadores, trazendo mais uma taça para nossa galeria de troféus. Ele era um profissional de excelência, com potencial para se tornar o nosso “Alex Ferguson”, um técnico para marcar uma era, se tivesse tido a chance.
Mas para a gestão “racional” de José Boto, nada disso importa. O que importa é a frieza dos números e a arrogância de acreditar que sua visão europeia é superior à paixão que move o maior clube do planeta.
O que Isso Diz Sobre o Futuro do Mengão?
A fala de José Boto é mais do que uma simples opinião infeliz. É um sintoma perigoso. Mostra uma diretoria que pode estar completamente desconectada do seu maior patrimônio: a torcida. Se quem comanda o nosso futebol nos vê como um problema “emocional” a ser contornado, qual o futuro que nos espera?
Nós não somos um empecilho, somos a razão de ser do Clube de Regatas do Flamengo. Essa paixão que ele critica é a força que nos ergueu das cinzas tantas vezes e nos levou ao topo do mundo. Ignorar isso não é ser racional, é ser ignorante sobre a história e a grandeza do Manto que você representa.
A Nação Rubro-Negra exige respeito. Não aceitaremos jamais que um burocrata, seja de onde for, nos trate com tanto desdém. O Flamengo é do povo, é da arquibancada, é da emoção. E quem não entende isso, não serve para estar no Mengão. Simples assim. SRN!
Informações com base em reportagem do www.lance.com.br.