A Nação não te perdoa, Carrascal!
Sábado à noite, Maracanã com mais de 71 mil almas rubro-negras, clima de final antecipada. Tudo pronto para o Mengão dar um soco na mesa e assumir a ponta do Brasileirão. Mas em 20 minutos, um homem decidiu que a festa era do rival. O nome do pesadelo? Carrascal. Não adianta procurar outros culpados, Nação. A derrota vergonhosa por 3 a 0 para o Palmeiras tem a assinatura do colombiano.
Sim, teve gol perdido na cara do goleiro. Sim, o Rossi deu uma ajuda de novo. Mas nada, absolutamente NADA, se compara à irresponsabilidade de um pé alto na cara do Murilo, no meio de campo, com o jogo controlado. Um lance completamente desnecessário que jogou no lixo o plano de jogo e a esperança de milhões. Foi burrice. Foi infantilidade. Foi uma traição ao Manto Sagrado.
Um início avassalador jogado fora
O que mais dói é saber que éramos melhores. Muito melhores. Nos primeiros 20 minutos, só deu Flamengo! Com 60% de posse de bola, o time amassava o Palmeiras no nosso terreiro sagrado. Criamos, pressionamos e tivemos a faca e o queijo na mão para matar o jogo logo de cara.
Aos dois minutos, Evertton Araújo, sozinho na área depois de uma cobrança de escanteio ensaiada, chutou torto e perdeu uma chance de ouro. Aos 14, foi a vez de Paquetá sair na cara de Carlos Miguel e não conseguir converter. Se aquela bola entra, a história seria outra. Mas o ‘se’ não ganha jogo. O que perde jogo é ter um jogador a menos por mais de 70 minutos por pura inconsequência.
A difícil escolha de Jardim e a luta com 10 guerreiros
Com um a menos, o técnico Leonardo Jardim ficou numa sinuca de bico. Retrancar o time e tentar segurar um ponto, enfurecendo a Nação que lotou o Maraca? Ou continuar jogando, mesmo em desvantagem? Ele optou pela segunda opção, armando duas linhas de quatro e tentando ser corajoso. Não dá para crucificar o mister por isso. Se ele recua e perde, seria massacrado da mesma forma.
O próprio Jardim, na coletiva, soltou o verbo, mesmo que para defender o indefensável: “É muito fácil dar o cartão vermelho para o Flamengo”. É o papel dele, proteger o grupo. Mas nós, da arquibancada, sabemos que a culpa não foi do apito dessa vez.
O time tentou. Lutou. No segundo tempo, Samuel Lino, que fazia uma partidaça, teve uma chance, mas escorregou na hora H. Paquetá, de novo, isolou uma bola no rebote de escanteio. O Mais Querido mostrava coração, mas o corpo já sentia o cansaço de correr por dois.
Cansaço, falhas e substituições questionáveis
O castigo veio aos 37 minutos. Mesmo com o time todo posicionado na defesa, o desgaste era evidente. O sobe e desce com um a menos cobrou seu preço. O Palmeiras achou o primeiro gol. E aí, o castelo de cartas desmoronou de vez.
Com a desvantagem, Jardim teve que se arriscar. Mas as mexidas não funcionaram. A pior de todas? Tirar Samuel Lino, o melhor do Flamengo em campo. Uma decisão inexplicável. Para piorar, Rossi, em péssima fase, aceitou dois chutes defensáveis de Allan e Paulinho, selando o caixão rubro-negro e frustrando cada um dos 71 mil presentes.
Fica a pergunta: por que Plata não começou jogando? A única explicação plausível é alguma questão física, porque tecnicamente, sua ausência no time titular foi sentida.
Estaca zero, mas a esperança não pode morrer
Os números finais mostram um time que não se entregou: terminamos com 48% de posse e 19 finalizações contra 12 deles. Tivemos quatro chances claras, contra cinco do Palmeiras. Perdemos, mas não fomos dominados em volume. Fomos traídos por um erro individual grotesco.
Perdemos a ‘final’ do primeiro turno. A chance de ouro de passar o rival no confronto direto foi desperdiçada. Voltamos à estaca zero na briga pela liderança, agora com dolorosos sete pontos de distância. Mas aqueles 20 minutos de 11 contra 11 mostraram uma coisa: o Flamengo é mais time. E é nessa sensação que a Nação precisa se agarrar. A raiva por Carrascal é imensa, mas o amor pelo Mengão é infinito. Vamos levantar a cabeça, porque o campeonato é longo. Dale, Mengão!
Informações com base em reportagem do ge.globo.com.