A ferida que não fecha: CBF divulga áudio da expulsão de Carrascal
A Nação Rubro-Negra acordou neste domingo (24) com mais um motivo para se revoltar. A derrota por 3 a 0 para o Palmeiras no sábado (23), dentro do nosso Maracanã, já tinha sido um golpe duro. Mas a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) fez questão de jogar sal na ferida ao divulgar os áudios do VAR sobre a expulsão do nosso meia Carrascal. E a justificativa, meus amigos, é de cair o queixo e aumentar ainda mais a sensação de injustiça que tomou conta do Maior do Mundo.
Para quem não lembra ou tentou apagar da memória, o lance capital aconteceu aos 21 minutos do primeiro tempo. Uma eternidade para jogar com um a menos. Carrascal, na disputa pela bola, levanta o pé para dominar a pelota. Ele TOCA NA BOLA primeiro. Isso é fato, a imagem não mente. Mas, na sequência do movimento, atinge o jogador Murilo, do time adversário, no peito e no rosto. O árbitro Davi de Oliveira Lacerda (ES), sem nem pestanejar, sacou o cartão vermelho direto.
‘Essa bola se joga com a cabeça’, disse o árbitro em campo
A primeira pista do critério bizarro que seria adotado veio do próprio árbitro de campo. Enquanto a cabine do VAR, comandada por Caio Max Augusto Vieira (GO), analisava o lance, Davi de Oliveira Lacerda soltou a pérola pelo rádio, justificando sua decisão de expulsar o camisa 15 do Mengão:
— Cartão vermelho número 15 (Carrascal). Essa bola se joga com a cabeça, não com o pé.
Uma frase que já demonstrava a total falta de compreensão da dinâmica do jogo. Desde quando um jogador é proibido de disputar uma bola alta com o pé? É um recurso do futebol! Mas, para a arbitragem daquela noite, parecia ser um crime inafiançável. A Nação, que assistia atônita, já sentia o cheiro do prejuízo que estava por vir.
A ‘sentença’ do VAR: ‘Apesar de atingir a bola…’
O pior, no entanto, veio da cabine do VAR. Após revisar a jogada por múltiplos ângulos, a confirmação da decisão de campo veio com uma justificativa que beira o inacreditável. A frase de Caio Max Augusto Vieira ficará marcada na história como um exemplo de como a interpretação pode destruir um jogo de futebol.
Preste atenção na lógica da arbitragem de vídeo:
— Toca no rosto, sim. Ele (Carrascal) assume o risco. Davi, segue sua decisão de campo. Apesar de ele atingir a bola, ele acaba acertando no peito e no rosto do adversário com as travas da chuteira, colocando em risco sua integridade — sentenciou o árbitro de vídeo.
É isso mesmo que você leu, torcedor. ‘APESAR DE ELE ATINGIR A BOLA’. A própria arbitragem admite que nosso jogador tocou na bola primeiro! Mesmo assim, a expulsão foi mantida porque ele ‘assumiu o risco’. Que risco? O risco de jogar futebol? O risco de disputar uma bola dividida? Desde quando isso é critério para expulsão? A regra fala em jogo brusco grave, e não em ‘assumir riscos’. Inventaram uma nova regra para prejudicar o Flamengo em pleno Maracanã lotado.
Súmula oficializa a interpretação polêmica
Para selar a noite de horrores da arbitragem, a súmula da partida, assinada por Davi de Oliveira Lacerda, formalizou o que vimos em campo. A justificativa foi curta e grossa, ignorando completamente o fato de Carrascal ter jogado a bola primeiro.
‘For culpado de jogo brusco grave — Por atingir o rosto do seu adversário com a sola de sua chuteira, durante uma disputa de bola. Após a expulsão, o atleta saiu de campo sem contestar’, escreveu o árbitro.
Claro que ele saiu sem contestar. Provavelmente estava tão chocado quanto os mais de 60 mil rubro-negros no estádio. Lutar contra a interpretação de quem tem o apito e o cartão na mão é uma batalha perdida.
O resultado foi um Flamengo desestabilizado, com um a menos desde o início, e um placar de 3 a 0 que não reflete a força do nosso elenco. Fica a pergunta no ar para a Nação: até quando o critério será tão elástico contra o Mais Querido? A divulgação do áudio não trouxe alívio, apenas a confirmação de que fomos, mais uma vez, operados em campo. Mas seguimos de cabeça erguida, porque ser Flamengo é ser maior que tudo isso. SRN!
Informações com base em reportagem do www.lance.com.br.