A verdade dolorida de um líder Rubro-Negro
A Nação Rubro-Negra foi dormir com o coração na mão. A eliminação na Copa do Brasil após a derrota por 2 a 0 para o Vitória, lá no Barradão, em Salvador, doeu na alma de cada torcedor. Mas em meio à frustração, uma voz de liderança se levantou para dar o papo reto, sem meias palavras. O zagueiro Danilo, titular e um dos pilares do elenco, não se escondeu e traduziu em palavras o sentimento que todos nós tivemos vendo o jogo: o Mengão massacrou, mas falhou na hora H.
É difícil digerir uma eliminação quando o time joga, pressiona e cria. Mas futebol, como bem sabemos, não é justo. É efetivo. E foi exatamente essa a análise do nosso xerife, que viu de dentro de campo um Flamengo dominante, mas inoperante na frente do gol. A sinceridade de um líder nesses momentos é um alento, pois mostra que eles estão sentindo a mesma dor que a gente.
‘Massacramos o adversário, mas não era o nosso dia’
As palavras de Danilo ecoam o sentimento de impotência da maior torcida do Brasil. Em uma declaração forte, ele resumiu o roteiro do desastre. O Flamengo, como sempre, entrou com a obrigação de vencer e fez o que se esperava: amassou o adversário em seu próprio campo. Mas a bola teimou em não entrar.
“A Copa do Brasil era um objetivo na temporada. Obviamente, uma derrota chateia bastante, principalmente em um elenco que foi montado para vencer tudo o que disputa”, começou o zagueiro, colocando o dedo na ferida. “O jogo foi bem claro: o Flamengo teve a obrigação de assumir a partida, criou as finalizações e pressionou o tempo todo. Sofremos dois gols, o primeiro com muito mérito do Erick, e o segundo em uma falha coletiva nossa. Depois disso, ficou difícil.”
É isso! O roteiro que a gente viu na TV. O Mengão em cima, e o adversário se achando em dois lances. Danilo continuou, com a honestidade que a Nação exige: “O Vitória baixou as linhas, se entregou em campo, e nós pecamos nas finalizações para furar o bloqueio deles. Fizemos uma partida importante. Massacramos o adversário o tempo todo, mas hoje não era o nosso dia”. A palavra ‘pecamos’ é forte. É um reconhecimento do erro, da falha no quesito mais importante do futebol: o gol.
Os números do ‘massacre’ improdutivo
A fala de Danilo não é apenas uma impressão de torcedor ou um desabafo de jogador. Os números comprovam a análise. Contra o Vitória, o Mais Querido finalizou impressionantes 26 vezes! Vinte e seis! E quantas foram na direção do gol? Apenas sete. É uma estatística que grita, que expõe a ferida da falta de pontaria.
E o problema não foi só nesse jogo. É um filme que a gente já assistiu recentemente. Se somarmos a partida contra o Grêmio, o cenário fica ainda mais claro e preocupante. Nos últimos dois jogos, o time comandado por Leonardo Jardim acumulou um total de 46 finalizações. Quarenta e seis chances de balançar a rede! O resultado? Apenas 12 chutes no alvo e um único, solitário gol marcado. É muito volume para pouquíssima, ou quase nenhuma, eficiência. Não dá pra ganhar campeonato assim, Mengão!
‘A responsabilidade é de todos’
Em momentos de crise, é comum procurar culpados. Apontar o dedo para o atacante que perdeu o gol, para o técnico que escalou. Mas Danilo, como um verdadeiro líder, chamou a responsabilidade para o grupo todo. E essa é a atitude que se espera de um jogador que veste o Manto Sagrado.
Questionado sobre o porquê da má pontaria, ele foi humilde: “Não sei responder, sinceramente. A gente trabalha todas as partes do jogo: construção, defesa e finalização. Tivemos as ocasiões. Em outros jogos conseguimos marcar, mas esse quesito precisa de atenção, porque vai fazer diferença nas competições daqui para frente”.
E ele foi além, incluindo a defesa na conta: “A má pontaria prejudicou bastante, e estamos conscientes disso. A responsabilidade é de todos. Os defensores também tiveram chances pelo alto. Fica o aprendizado: precisamos ser mais letais. Sofremos dois gols e temos que analisar nosso posicionamento defensivo, mas a responsabilidade pelos gols marcados é dividida entre toda a equipe”. É isso. Ganha todo mundo, perde todo mundo. É o espírito que queremos ver em campo.
O que fica de lição para o Mais Querido?
A eliminação na Copa do Brasil é um golpe duro, especialmente para um clube que entra em tudo para ser campeão. Mas não há tempo para lamentar. A temporada continua, com outras batalhas importantes pela frente. A sinceridade de Danilo precisa servir como um divisor de águas. O diagnóstico está feito: o time cria, tem volume, ‘massacra’ os adversários. Agora, falta o principal: ser letal.
O trabalho do técnico Leonardo Jardim será crucial para corrigir essa rota. É preciso treinar, repetir, exaurir as finalizações até que elas entrem naturalmente. A Nação apoia, empurra e joga junto, mas também cobra. Queremos ver esse volume de jogo transformado em gols, em vitórias, em títulos. Que o ‘pecado’ da finalização seja perdoado com muitas bolas na rede daqui para frente. Pra cima deles, Mengão!
Informações com base em reportagem do www.lance.com.br.