Uma noite para apagar da memória da Nação
É difícil até de escrever, Nação. A ferida está aberta. A eliminação na Copa do Brasil para o Vitória, dentro do Barradão, não foi um acidente de percurso. Foi a crônica de uma morte anunciada, um roteiro de terror que a gente já vinha assistindo em capítulos. Dois vilões principais nessa história: um ataque que finaliza, finaliza e não marca, e uma falha inacreditável do nosso goleiro Rossi, justamente no momento mais decisivo.
A frustração é gigantesca. Ver o Manto Sagrado ser eliminado de forma tão precoce em uma competição que somos PENTACAMPEÕES é um golpe duro demais. O sentimento é de impotência, de ver um time que cria, mas que parece ter esquecido o caminho do gol. E isso, meu amigo rubro-negro, cobrou o preço mais alto possível.
Um problema que não é de hoje: a mira descalibrada
Não vamos ser hipócritas. Esse problema não surgiu ontem. Já estava ali, piscando em alerta máximo, nos jogos contra Grêmio e Bahia. O time constrói, chega na frente, mas na hora do ‘capricho’, daquela bola na rede para fazer a Nação explodir, a bola vai para fora, no goleiro, em qualquer lugar, menos no fundo do barbante.
Os números não mentem e eles são cruéis. Analisando as cinco partidas antes desse desastre, o Mengão já mostrava sua ineficiência. Foram três vitórias e dois empates, mas com um detalhe que agora se mostra fatal:
- Finalizações totais: 70
- Finalizações no alvo: Apenas 31
A média da equipe de Leonardo Jardim era de 14 chutes por jogo para acertar somente seis no gol. Menos da metade! É como ter uma bazuca e tentar acertar um mosquito. Uma hora a conta chega. E ela chegou da forma mais dolorosa.
Os números do vexame no Barradão
Contra o Vitória, a história se repetiu, mas com requintes de crueldade. O Flamengo teve a bola, dominou a posse, mas de que adianta ter a bola e não saber o que fazer com ela? O time se tornou previsível, apostando em uma chuva de cruzamentos sem sentido no segundo tempo, uma tática desesperada e ineficaz.
As estatísticas da partida são um soco no estômago de qualquer torcedor:
- Total de finalizações do Flamengo: 26 (VINTE E SEIS!)
- Chutes no gol: Apenas 7
Isso mesmo. De 26 tentativas, apenas sete foram na direção certa. E nessas poucas vezes, o goleiro deles, Lucas Arcanjo, fez o que se espera de um goleiro: defendeu. Não foi por falta de tentativa, mas sim por uma assustadora falta de qualidade e precisão na hora de concluir.
Jardim tenta explicar o inexplicável
Após o apito final, o técnico Leonardo Jardim foi aos microfones. Ele não fugiu da raia e admitiu o problema, mas atribuiu a falta de pontaria à confiança dos jogadores. Nas palavras do próprio treinador, a situação é complexa.
“Melhorar a eficácia é um gesto técnico. Treinamos finalização, mas isso tem a ver com a confiança do jogador. Hoje foi um jogo em que tivemos domínio de posse, 26 finalizações, e não concretizamos. Não foi por falta de atitude e empenho”, declarou Jardim, que completou: “O segundo veio em uma jogada de escanteio, em que precisamos ter mais atenção. Perdemos o que era um dos objetivos nesta primeira fase da temporada”.
É o reconhecimento de que um dos pilares do planejamento do ano ruiu. Perdemos um título, perdemos dinheiro e, o mais importante, perdemos um pouco da nossa confiança.
A falha que custou a classificação
Para completar o cenário de pesadelo, a classificação do Vitória veio em um lance que vai doer por muito tempo. Rossi, que vinha sendo um porto seguro, falhou de forma decisiva. Em uma cobrança de escanteio, o goleiro argentino saiu mal do gol, desviou a bola levemente e a deixou nos pés de Luan Cândido. O jogador adversário não perdoou e acertou um voleio. Rossi ainda tentou a defesa, mas a bola morreu no fundo da nossa rede.
Foi o gol da eliminação. Uma falha individual que coroou uma noite de inoperância coletiva. Ninguém se salvou. Do ataque que não marca ao goleiro que falha, foi uma noite para esquecer, mas que precisa servir de lição.
E agora, Mengão?
A pressão será imensa. A queda prematura na Copa do Brasil é um baque esportivo e financeiro gigantesco. Não há tempo para lamentar, pois o calendário não para. Mas a cicatriz dessa eliminação vai demorar a fechar. A Nação está machucada, mas como sempre, estará aqui. Esperamos uma resposta à altura da grandeza do Clube de Regatas do Flamengo. SRN.
Informações com base em reportagem do www.lance.com.br.